Atingidos por barragem em Barão de Cocais criam nova comissão
Atingidos por barragem da Vale se reúnem para criar comissão
Vários representantes de diversos segmentos compareceram e
aprovaram a criação da comissão, também aprovaram pauta de novas demandas e
articularam para fazerem manifestações
Por
Carlos Leal
DRT/DF
8947
Sábado 06/04, as 17:00h, na quadra do CRAS no bairro São
Miguel em Barão de Cocais, representantes dos atingidos pela probabilidade de
rompimento da Barragem Sul Superior da Mina de Gongo Soco, de propriedade da
Cia Vale, se reuniram com o objetivo de criar uma comissão representativa de
todos os seguimentos vitimados pela mineradora.
Na abertura da reunião, a presidente interina da ADCS, Izabel
Cristina, expôs os motivos da reunião, enfatizando a criação da comissão como
forma de união para lutar com representatividade pelos direitos coletivos, uma
vez, que a Vale é uma disseminadora da discórdia como estratégia para desunir
as pessoas e levar vantagem nas negociações. Izabel sugeriu que em reunião
futura seja criado um movimento local dos atingidos por barragem, que o nome já
sugerido é: Movimento Cocaiense dos Atingidos por Barragem, com a sigla MOCAB.
Ricardo Saião, membro da comissão, propôs que a reunião
tivesse uma pauta, que os oradores fossem inscritos e que o tempo para expor
suas ideias fosse de três minutos, que colocado em votação foi aprovado.
Também presente na reunião, Pablo (Bim) representante do MAB,
explanou sobre a necessidade da união de todos os segmentos, para enfrentar a
Vale, que é uma estrategista que conta com uma “legião” de advogados para
postergar decisões judiciais. Pablo também sugeriu que, ao invés de ser criado
um novo movimento dos atingidos, poderia ser criado outro MAB regional, mas
outros representantes acharam que a melhor opção será criar mesmo o MOCAB que
atuaria com o apoio da experiência do MAB, pois a causa de Barão de Cocais é
local e diferenciada de outras já acontecidas que precisa ser tratada com mais
rapidez e identidade própria.
José Wilson, presidente afastado da associação por motivos de
saúde, se posicionou contrário a criação do MAB regional e disse que devemos
criar o MOCAB.
Rafael da UAB e representante bairrista, leu e colocou em
votação uma nova pauta de demandas que depois de (cruzada) com outras feitas
anteriormente, será encaminha à Vale e ao MP. Após a leitura, a pauta foi
aprovada com algumas ressalvas.
Maxwell Andrade, representante dos ribeirinhos, se colocou
totalmente disponível para compor a comissão, por considerar de suma
importância a união de forças para alcançar os objetivos da luta.
Outros oradores fomentaram a necessidade de se fazer
mobilizações no sentido de chamar a atenção das autoridades, da população e
principalmente da Vale. Uns sugeriram passeatas pelo centro da cidade, outros
falaram em fazer bloqueios impedindo a mobilidade e logística da Vale, e até
cobrar dos políticos municipais ações mais objetivas contra a mineradora.
Também não faltaram denúncias pela inércia dos poderes
municipais quanto a situação caótica e desoladora que Barão de Cocais foi
imposta pela Vale. Ainda foi dito que o vice-prefeito de Barão de Cocais
Lourival Ramos, estava oferecendo os trabalhos advocatícios (pagos) de seu
escritório para acompanhar aqueles que pretendem negociar suas indenizações
diretamente com os representantes da Vale, fato que foi condenado por todos os
presentes. Alguns conotaram que o estreito relacionamento de políticos de Barão
de Cocais com a mineradora poderia vir a prejudicar ainda mais os atingidos.
Outro orador disse que é direito de qualquer profissional cobrar por seus
serviços, mas, que o vice-prefeito deveria defender profissionalmente os
atingidos e receber seus honorários da Vale, porque ela é a autora da situação
criminosa e os atingidos são suas vítimas.
”O CMNEWS BRASIL, fez contato
telefônico com o vice-prefeito Lourival Ramos, que disse não estar oferecendo
trabalhos advocatícios de seu escritório pois o mesmo está inativo, mas tão
somente tem orientado quem o procura a não negociar sozinho com a mineradora, e
que para isso, deva ir acompanhado de advogado ou de um defensor público.
Lourival, também se comprometeu a interceder junto à Vale para que os
honorários advocatícios sejam pagos por ela.”
O CMNEWS BRASIL, ouviu uma profissional contratada para realização
do trabalho psicossocial, que nos enviou estes esclarecimentos:
“Existem hoje várias frentes psicossociais mobilizadas para
atendimentos aos moradores tanto das ZAS e ZSS, Hotel, Realocação em Moradia, Pontos
de Atendimentos para esclarecimentos de dúvidas e orientações em Barão, Assistência
em CRAS em cadastros diversos. A equipe psicossocial terceirizada pela Vale só
não atua com fins psicoterapêuticos, toda demanda de saúde mental deve ser
acolhida pelo Município de Barão de Cocais (Prefeitura), bem como atendimentos
médicos que ultrapassem as possibilidades das equipes disponibilizadas 24 horas
de médicos e enfermeiros.”
Depois de muitas discussões, foi criada a comissão, que teve
como embrião a antiga comissão eleita pelos evacuados de Socorro, Vila do
Gongo, Tabuleiro e Piteira, composta com representantes dos ribeirinhos,
sitiantes, comerciantes e outros seguimentos que surgirem enquanto durar a
evacuação.


E muito importante centralizar as reivindicações.
ResponderExcluirE usar a imprensa para divulgar. As empresas tem medo da repercussão que ela promove.