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Vale S/A se esconde e não comparece em Audiência Pública


Vale S/A se esconde e não comparece em Audiência Pública

A Vale não enviou representante para audiência pública sobre segurança de barragens, mas deu desculpa 

Por Carlos Leal
DRT/DF 8947

Vereadores e oradores, reclamaram do não comparecimento de representante da Vale S/A na Audiência Pública sobre Segurança das Barragens Existentes no Município de Barão de Cocais, realizada na Câmara Municipal na terça-feira 16/04.

O plenário quase vazio pode-se conotar ao descrédito dos atingidos por barragem com o poder legislativo municipal, que, fala muito em participação em reuniões, mas não se vê nenhuma ação objetiva contra a Vale S/A, isso quem nos disse foram várias pessoas evacuadas que ouvimos após o término da Audiência Pública, que se dizem cansadas de tantas reuniões e nenhuma solução.

O vereador Batista, presidente da Câmara, abriu a Audiência Pública falando da necessidade de debater com a população a situação avassaladora que o município está sendo imposto pela Vale S/A. Batista comparou a ausência de um represente Mineradora à falta de compromisso com o que está acontecendo. Disse também que só tomou conhecimento do moro que será construído em Tabuleiro por meio de fotos... falou também da mortandade de peixes na Lagoa do Peti por causa do abaixamento do nível da água feito pela CEMIG, para em caso de rompimento da barragem receber a lama.

O prefeito Décio Santos, disse que a barragem foi construída muito antes do seu governo e que ninguém fala mais em Mariana, pouco se fala em Brumadinho e que logo Barão de Cocais também será esquecida, por isso temos que pensar no futuro das comunidades evacuadas. Décio disse que é idiotice de quem está falando mal dos vereadores, porque muita gente está querendo “ver o circo pegar fogo”, para tirar proveito político... ele falou também que as comunidades de Gongo Soco e Socorro sempre foram esquecidas pelo poder público.

Maxwel, representante dos ribeirinhos, falou que a Vale dividiu os atingidos e que agora quer dividir as comunidades com um muro e pediu para o poder público não entrar no jogo dela... Maxwel se declarou totalmente contra a construção do muro abaixo de Socorro.

Hélio Pereira, presidente da ACABAC, disse que os comerciantes estão aflitos com a brutal queda nas vendas e que todo comércio de Barão conta com a Vale melhorar as vendas.

José Carlos, representante da Dep. Beatriz Cerqueira, disse que o crime começou em 1997 quando Fernando Henrique privatizou a Vale... disse também que a Vale é uma assassina que gera empregos... falou que a Vale paga uma boa indenização para uns e dá esmolas para a maioria das vítimas, e é ela que dita as regras.
Ofício do vereador Leoney, entregue à
Vale aos 28 de janeiro de 2019, 10 dias
antes da evacuação, ainda sem resposta

O Vereador Leoney, pediu para a Câmara solicitar informações da licença ambiental dada em 2007 para o alteamento da barragem... disse ainda que no Brasil só tem 6 (seis) fiscais para fiscalizar 10.000 (dez mil) barragens... reclamou que desde 28 de janeiro, a Vale deve resposta de um ofício pedindo informações sobre a segurança da barragem.

Antonio Francisco, sindicalista, lamentou a casa vazia e culpou a Vale pelo esvaziamento... disse que não é o memento para próprio para disputa política, que a Vale tem que dar respostas sobre a construção do muro que vai isolar três comunidades... pediu respeito da Vale para com o povo.
Rogério Souza-CAMRSJ







Rogério Souza, da Comissão dos Atingidos da Margem do Rio São João, muito emocionado, disse que irão partir pra cima da Vale para ter as demandas atendidas... disse que os atingidos ribeirinhos ficaram com a pior parte e que não dá pra ficar esperando pela Vale, que faz mais 60 (sessenta dias) os atingidos estão sofrendo e sem respostas que atendam suas demandas.


Sandra Vita do MAM, disse que a Vale usa do sofrimento e da emoção das pessoas e compra as lideranças dos movimentos para alcançar seus objetivos... ela perguntou se a PM trabalha pra Vale ou para o poder público... finalizou acusando a Vale de não ter apresentado o projeto para prefeitura, nem ter discutido a construção do muro com as comunidades afetadas.
Leidiane Mendes-MAM

O vereador Lúcio, disse que desde 8 de fevereiro a Câmara espera informações da Vale... falou que a Vale e o MP deveriam ter enviado representantes para Audiência Pública... o vereador acha que o MP deveria entrar em defesa do povo.

Reginaldo, cobrou mais ação do legislativo e do executivo em defesa da população.

O vereador Sebastião, disse que todos são atingidos, que o não comparecimento de um representante da Vale deixou muitas perguntas sem respostas... Sebastião quer uma reunião com técnicos da Vale, com obrigação de comparecimento.

Leidiane, do MAM, disse que a luta é coletiva e que todos precisam abraçar a causa do Movimento pela Soberania Popular na Mineração.

Nick-Comissão dos Evacuados
Nick, da Comissão dos Evacuados, começou falando da diferença de tempo para uso da palavra dando mais de dez minutos para os sindicalistas e apenas três minutos para os atingidos... Nick disse que a desaceleração comercial está atingindo a todos, que ele terá que demitir uma professora porque a escola dele perdeu 20 (vinte) alunos... Disse também que não dá para os atingidos esperar pela 
Defensoria Pública para buscar seus direitos, porque não existe defensores suficientes para atender a todos, que por isso, os honorários advocatícios deveriam ser pagos pela Vale... falou também que a queda na arrecadação de impostos impede a prefeitura de fazer investimento na cidade... Para Nick, a Vale teria que arcar com a geração de  empregos como forma de retribuição aos danos causados ao município... Ele disse que a construção da Barreira de Contenção de Rejeitos sem ouvir os poderes públicos municipais e os atingidos, é uma inversão de valores.    

Um representante da Comissão dos Evacuados, entregou ao presidente da Câmara, vereador Batista, cópias do abaixo-assinado e ofício de encaminhamento contra a construção da BARREIRA DE CONTENÇÃO DE REJEITOS EM em Tabuleiro, onde reivindicam que a mesma seja construída acima de Socorro... em sua fala, o representante leu seu discurso onde citou que a construção da Barreira em Tabuleiro não protege o Rio São João e em caso de rompimento da barragem condenada, o desabastecimento de água atingirá Barão de Cocais, João Monlevade e outros municípios ribeirinhos.

COMENTÁRIO DO REPÓRTER:
Ao final, fui ouvir alguns atingidos e os perguntei se não sabiam da Audiência Pública. A maioria confirmou que sabia... perguntei por que não foram e as respostas foram mais ou menos assim: não fui porque não acredito que vá resolver alguma coisa – não fui e não vou, a Vale foi? – não fui porque de reunião com político já estou de .... cheio.
Por ética profissional, omiti os verdadeiros teores das respostas, onde até nomes foram citados.
Acho que os políticos de Barão precisam tomar atitudes sérias, objetivas, procurar as vias judiciais contra a Vale, porque é esse o caminho para reconquistar a credibilidade com a população.
Carlos Leal, sem papas na língua


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