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EVACUADOS (Parte-I)



O dia que a sirene soou

O som estridente do soar da sirene da Mineradora Vale, alertando para o rompimento de barragem, causou pânico em quatro comunidades do município de Barão de Cocais

Madrugada de sexta-feira, 08 de fevereiro por volta de 01:30h, as sirenes da Mineradora Vale soaram... O “uivou” das sirenes foi ouvido a quilômetros de distância, os alto-falantes avisando que a barragem da mina de Gongo Soco estava para se romper, anunciavam “ATENÇÃO, ATENÇÃO... ISSO É UMA EMERGÊNCIA. ATENÇÃO, ATENÇÃO... ESSA É UMA SITUAÇÃO REAL DE EMERGÊNCIA DE ROMPIMENTO DE BARRAGEM. ABANDONEM IMEDIATAMENTE SUAS RESIDÊNCIAS... SIGAM PELA ROTA DE FUGA ATÉ O PONTO DE ENCONTRO E PERMANEÇAM ATÉ QUE SEJAM REPASSADAS NOVAS INSTRUÇÕES...”

Centenas de moradores das comunidades de Gongo Soco, Socorro, Tabuleiro e Piteiras, acordaram aterrorizados, pensando que a lama já estava chegando. Pais e mães carregando seus filhos, idosos sendo ajudados por parentes e amigos, parentes ligando para parentes, vizinhos acordando vizinhos.

O horror era imensurável... as pessoas só pensavam em salvar suas vidas e as vidas de seus entes queridos. Há quem afirmou, que as únicas coisa que conseguia lembrar era das tragédias de Brumadinho e Mariana, que por isso, ninguém quis perder tempo carregando seus pertences e alguns nem fecharam suas casas. Tomados pelo medo da morte, todos correram para as partes mais altas de suas comunidades, deixando para trás, histórias de vida construídas durante anos. Logo, os ônibus da Mineradora Vale chegaram e todos foram evacuados, sendo acomodados num ginásio de esportes em Barão de Cocais (sede do município).

Comerciantes abandonaram suas mercadorias, produtores rurais deixaram para trás suas colheitas, trabalhadores manuais/artesãos abriram mão de suas obras, pedreiros e pequenos empreiteiros pararam suas obras, trabalhadores diaristas ficaram sem ter o que fazer... as amizades e convívio com parentes, amigos e vizinhos se dispersaram, e as crianças tiveram a infância interrompida por tempo indeterminado. “Tudo ficou para trás!... Só levamos nossas vidas e a roupa do corpo, até nossos caros por lá ficaram”, disse uma moradora evacuada.
“Nem mesmo os animais de estimação tivemos como trazer, ficaram todos para trás!.. também ficaram as criações como equinos, bovinos, caprinos, aves, peixes e abelhas que criamos para nossa subsistência e como atividade econômica, que estão a mercê dos predadores silvestres e até mesmo de ladrões, porque não têm seguranças em número suficiente para cobrir toda área evacuada”, afirmou um produtora rural.

Saiam de suas casas
O pavor, fez com que muitos deixassem suas casas de portas abertas, pois naquele momento, um só segundo poderia representar a vida, ou a morte.


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